• Bruno Ferraz

Ablação por cateter na fibrilação atrial: conceitos e indicações


Sobre a ablação por cateter na fibrilação atrial podemos afirmar, EXCETO:

A) A ablação da FA é mais eficaz que o uso de antiarrítmicos no controle do ritmo

B) A ablação tem taxa de sucesso variável, sendo melhor em doentes jovens, com FA paroxística/persistente sintomática e sem cardiopatia estrutural

C) As vantagens da ablação são observadas na melhora da sintomatologia e da qualidade de vida mas não há benefício estabelecido na redução de mortalidade, IC ou AVC

D) Pode ser indicada como primeira escolha em pacientes com FA paroxística sintomática recorrente, mesmo antes do início de antiarrítmicos

E) É uma estratégia aceitável em doentes com contraindicações absolutas ao uso de anticoagulantes

RESPOSTA:

O tratamento com ablação por cateter na fibrilação atrial (FA) pode ser considerada em situações onde há necessidade de controle tanto da frequência cardíaca como do ritmo. No caso da ablação para controle da frequência cardíaca refratária ao tratamento medicamentoso, a estratégia se dá pelo implante de marcapasso definitivo associado à ablação da junção AV.

Já no controle do ritmo, há diversas evidências que mostram que a ablação da FA é mais eficaz que o uso de antiarrítmicos no controle do ritmo. Por isso, a indicação à ablação da FA vem se tornando mais abrangente nos últimos anos, podendo ser considerada após falência com tratamento antiarrítmico ou até mesmo como primeira escolha em alguns casos selecionados.

A ablação tem taxa de sucesso variável, sendo melhor em doentes jovens, com FA paroxística/persistente sintomática e sem cardiopatia estrutural. Os benefícios são questionáveis em FA de longa duração, muito idosos e IC avançada. Em assintomáticos, a indicação é controversa. As vantagens da ablação são observadas na melhora da sintomatologia e da qualidade de vida mas não há benefício estabelecido na redução de mortalidade, IC ou AVC.

A ablação da FA é realizada através do isolamento elétrico das veias pulmonares, que geralmente é suficiente nos casos paroxísticos. Outras abordagens podem ser necessárias em casos refratários. Em arritmias de curta duração com átrios pouco alterados, a taxa de sucesso é bem elevada, sobretudo naqueles que utilizam antiarrítmicos. Nos doentes com FA de longa duração e átrios dilatados (maior que 50mm), os resultados são ruins. Essa informação motiva a indicação cada vez mais precoce da ablação.

As principais indicações estão listadas abaixo:

- Sintomáticos com FA paroxística refratária ou intolerante a pelo menos um antiarrítmico (classe I ou III) - CLASSE IA

- Sintomáticos selecionados com FA persistente refratária ou intolerante a pelo menos um antiarrítmico (classe I ou III) - CLASSE IIaA

- FA paroxística sintomática recorrente como primeira terapia (com paciente de acordo) - CLASSE IIaB

- Sintomáticos do FA persistente (>12 meses) refratária ou intolerante a pelo menos um antiarrítmico (classe I ou III) - CLASSE IIbB

- Primeira terapia em pacientes com FA persistente - CLASSE IIbC

Nos doentes que não podem utilizar anticoagulantes durante e após o procedimento, a ablação está contraindicada (item E incorreto)



BRUNO FERRAZ DE OLIVEIRA GOMES

Médico rotina do Unidade Cardiointensiva do Hospital Barra D'Or

Ecocardiografista do Hospital Barra D'Or

Diretor Administrativo do Departamento de Doença Coronária da SOCERJ

Intensivista no Hospital Federal Cardoso Fontes

Mestrando em Engenharia Biomédica na COPPE/UFRJ

Título de especialista em cardiologia e terapia intensiva

www.drbrunoferraz.com.br

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