• Bruno Ferraz

Forame oval patente e AVC criptogênico: como tratar?



O forame oval patente (FOP) é um defeito de fechamento do septo interatrial congênito onde é mantida uma comunicação do átrio direito com o átrio esquerdo. Ocorre em 25-30% da população e tem maior prevalência em pacientes com AVC, especialmente naqueles com idade inferior a 55 anos. A maioria dos indivíduos é assintomático.


Muitos estudos relacionam a ocorrência de AVC criptogênico com a embolia paradoxal que ocorre em indivíduos com FOP. Assim, diversos estudos foram realizados para identificar situações onde há benefício na sua intervenção. Muitos resultados são conflitantes mas alguns estudos randomizados recentes sugerem benefício em algumas populações. A evidência atual sugere que o fechamento é efetivo na prevenção de AVC recorrente em pacientes com idade inferior a 60 anos onde a causa não é identificada e a hipótese mais provável é AVC embólico. Esse benefício parece ser mais expressivo em pacientes com shunt direita-esquerda ou aneurisma de septo interatrial.



Dessa forma, há a recomendação de realização de ecocardiograma transesofágico com teste de salina agitada em todos pacientes com suspeita de AVC embólico. A passagem de bolhas para o lado esquerdo em paciente com idade inferior a 60 anos indica o fechamento percutâneo do FOP além de terapia antiplaquetária. Nos pacientes acima de 60 anos, apenas a terapia antiplaquetária está indicada.


Vídeo mostrando o teste de salina agitada


Na recorrência do AVC, mesmo em pacientes com fechamento de FOP, vários fatores devem ser acessados como outro foco emboligênico com fibrilação atrial, estados de hipercoagulabilidade, assim como reavaliação do dispositivo de fechamento do FOP. Nesses pacientes, devemos considerar o início de anticoagulantes.


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