• Bruno Ferraz

Indicações cirúrgicas na estenose mitral


A estenose mitral ainda é frequente em nosso meio, sobretudo de etiologia reumática. Em casos avançados, pode ser necessária a intervenção por meio de valvuloplastia mitral por cateter-balão ou cirurgia. Dos pacientes abaixo, qual não deveria ser encaminhado ao tratamento cirúrgico?

A) 54 anos, estenose mitral grave, assintomático, PSAP 82mmHg, escore de Wilkins 11.

B) 32 anos, estenose mitral moderada, 2 episódios de AVE isquêmico em vigência de anticoagulação adequada

C) 58 anos, estenose mitral moderada, sintomático em classe funcional III, escore de Wilkins 13

D) 41 anos, estenose mitral grave, sintomática, escore de Wilkins 7

E) 35 anos, estenose mitral moderada, fibrilação atrial, sintomática em classe funcional III, insuficiência mitral grave associada e escore de Wilkins 6

RESPOSTA:

A estenose mitral (EM) é um acometimento da valva mitral resultante em dificuldade da mobilidade dos folhetos levando à redução do esvaziamento atrial. A causa mais comum em nosso meio é a reumática mas pode ocorrer em doenças infiltrativas, auto-imunes (LES, artrite reumatóide), côngênitas e serotoninérgicos (síndrome carcinóide). O mecanismo da estenose varia. Na doença reumática, há fusão das comissuras. A elevação da pressão atrial se transmite para o pulmão gereando congestão e hipertensão pulmonar. Os marcadores de pior prognóstico são: sintomas, fibrilação atrial e hipertensão pulmonar.

O tratamento da estenose mitral avançada pode ser por via percutânea com cateter balão ou cirúrgica. O acomentimento valvar e do aparato subvalvar irão definir a melhor estratégia. Geralmente, um escore de Wilkins maior que 8 sugere tratamento cirúrgico.

As indicações cirúrgicas são:

- Paciente com EM moderada a importante, sintomáticos (CF III ou IV) com contraindicações à valvuloplastia por balão ou em centro sem equipe treinada para tal. (CLASSE I)

- Paciente com EM moderada a importante associada a eventos embólicos recorrentes apesar de anticoagulação adequada (CLASSE IIa)

- Tratamento cirúrgico combinado da fibrilação atrial naqueles com indicação cirúrgica à EM (CLASSE IIa)

- EM importante, assintomáticos, HAP grave (PSAP maior ou igual a 80mmHg), não candidatos à valvuloplastia por balão

Portanto, o doente que não possui indicação cirúrgica é do item D: 41 anos, estenose mitral grave, sintomática, escore de Wilkins 7


Comentário por:


BRUNO FERRAZ DE OLIVEIRA GOMES

Médico rotina do Unidade Cardiointensiva do Hospital Barra D'Or

Ecocardiografista do Hospital Barra D'Or

Diretor Administrativo do Departamento de Doença Coronária da SOCERJ

Intensivista no Hospital Federal Cardoso Fontes

Mestrando em Engenharia Biomédica na COPPE/UFRJ

Título de especialista em cardiologia e terapia intensiva

www.drbrunoferraz.com.br

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