• Bruno Ferraz

Highlights AHA 2016: Estudo EFFECT e IRONOUT - Como repor ferro na IC?


Pacientes com insuficiência cardíaca (IC) e que se mantém em classe funcional II-IV podem estar diante de deficiência de ferro. Sobre a deficiência de ferro na IC e suas formas de reposição, podemos dizer, EXCETO:

A) A deficiência de ferro em pacientes com IC está presente em quase metade dos doentes.

B) A deficiência de ferro é preditor independente de mortalidade.

C) A reposição de ferro só pode ser feita se houver anemia manifesta ao hemograma.

D) Estudos recentes mostraram que a forma de reposição deve ser por via venosa, exclusivamente.

E) A reposição oral de ferro foi incapaz de elevar os níveis de ferritina no estudo IRONOUT

RESPOSTA:

A deficiência de ferro em pacientes com insuficiência cardíaca (IC) está presente em quase metade dos doentes e é um preditor independente de mortalidade.

Alguns estudos prévios mostraram a superioridade da reposição venosa sobre a reposição de ferro oral em termos de melhora da capacidade funcional e redução de internações. No AHA 2016 foram apresentados 2 estudos sobre esse tema: EFFECT-HF e o IRONOUT

O estudo EFFECT-HF randomizou doentes com IC com CF II-III NYHA, FE menor que 45%, deficiência de ferro e hemoglobina <15g/dL para tratamento com ferro venoso a cada 6 semanas ou tratamento habitual com reposição oral. O desfecho primário foi a mudança no VO2 pico que aumentou significativamente no grupo ferro venoso (diferença média 1.04ml/kg/min, p=0.02). Dentre os desfechos secundários, houve melhora significativa na classe funcional e na auto-avaliação do paciente. Este estudo contou com poucos pacientes por dificuldades na metodologia do estudo e utilizou doses de ferro intravenoso mais elevadas que o recomendado nos Estados Unidos. Mas seus resultados não podem ser desprezados já que houve melhora em pontos importantes.

Já o estudo IRONOUT estudou doentes com IC em CF II-IV, FE menor que 40% e ferritina reduzida (ferritina média 69ng/dL). Um grupo recebeu reposição de ferro oral e outro grupo, placebo. Não houve diferença no VO2 pico após 16 semanas de tratamento, assim como os níveis séricos de ferritina praticamente não se alteraram. Os investigadores dosaram o nível sérico de hepcidina (regulador da biodisponibilidade do ferro) que estão mais elevados em pacientes que não responderam à reposição de ferro oral.

Com esses dados, aliados à estudos prévios, parece não ser prudente a escolha de reposição de ferro por via oral em pacientes com IC, sendo preferida a via venosa. O estudo FAIR-HF2 está prestes a começar e provavelmente trará respostas definitivas a respeito de desfechos de maior impacto

Portanto, a resposta incorreta é o item C:

A reposição de ferro só pode ser feita se houver anemia manifesta ao hemograma


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BRUNO FERRAZ DE OLIVEIRA GOMES

Médico rotina do Unidade Cardiointensiva do Hospital Barra D'Or

Ecocardiografista do Hospital Barra D'Or

Diretor Administrativo do Departamento de Doença Coronária da SOCERJ

Intensivista no Hospital Federal Cardoso Fontes

Mestrando em Engenharia Biomédica na COPPE/UFRJ

Título de especialista em cardiologia e terapia intensiva

www.drbrunoferraz.com.br

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