• Bruno Ferraz

Contraindicações ao transplante cardíaco


Paciente de 71 anos, portador de miocardiopatia dilatada de etiologia Chagásica, em tratamento clínico otimizado, foi encaminhado para ressincronização cardíaca porém sem melhora funcional. Mantendo-se em classe funcional III-IV com internações frequentes. É encaminhado para o ambulatório de insuficiência cardíaca avançada para avaliação quanto à transplante cardíaco. Doente é diabético, insuficiência renal com clearance estimado em 45ml/min, último cateterismo não revelou lesões obstrutivas graves, teste de resistência vascular pulmonar revelou resistência pulmonar fixa = 7 Wood (após provas farmacológicas). Ele não foi eleito candidato ao transplante por qual motivo?

A) Idade > 70 anos

B) Diabetes

C) Etiologia chagásica

D) Resistência vascular pulmonar elevada

E) Insuficiência renal

RESPOSTA:

Pacientes portadores de insuficiência cardíaca avançada, com falência ao tratamento farmacológico e não farmacológico devem ser avaliadas quanto à possibilidade de transplante cardíaco. Pacientes bem selecionados para este método apresentam melhora significativa na sobrevida, na qualidade de vida, com possibilidade de retorno para atividades laborativas e esportivas.

Todos possíveis fatores reversíveis devem ser pesquisados, como doença coronariana, distúrbios valvares ou congênitos. Uma vez descartados, o paciente deve ser avaliado com teste cardiopulmonar e resistência vascular pulmonar.

As contraindicações absolutas para o transplante cardíaco são:

- Resistência vascular pulmonar fixa > 5 Wood, mesmo após provas farmacológicas

- Doença cerebrovascular e/ou vascular periférica graves

- Insuficiência hepática irreversível, doença pulmonar grave

- Incompatibilidade ABO

- Doença psiquiátrica grave, dependência química

Contraindicações relativas:

- Idade > 70 anos

- Diabetes insulino-dependente com lesões de órgão-alvo

- Comorbidades com baixa espectativa de vida

- Obesidade mórbida

- Infecção sistêmica ativa

- Úlcera péptica em atividade

- Embolia pulmonar < 3 semanas

- Neoplasia com liberação do oncologista

- Diabetes melito de difícil controle

- IRC com clearance < 30ml/min

- Amiloidose/sarcoidose/hemocromatose

- Hepatite B ou C

- SIDA

- Painel linfocitário > 10%

Portanto, das opções fornecidas pela questão, a contraindicação absoluta é o item D: Resistência vascular pulmonar elevada


Comentário por:


BRUNO FERRAZ DE OLIVEIRA GOMES

Médico rotina do Unidade Cardiointensiva do Hospital Barra D'Or

Ecocardiografista do Hospital Barra D'Or

Diretor Administrativo do Departamento de Doença Coronária da SOCERJ

Intensivista no Hospital Federal Cardoso Fontes

Mestrando em Engenharia Biomédica na COPPE/UFRJ

Título de especialista em cardiologia e terapia intensiva

www.drbrunoferraz.com.br

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