• Bruno Ferraz

Prolapso da valva mitral: características clínicas


Com relação à síndrome do prolapso da válvula mitral, assinale abaixo a melhor assertiva no que diz respeito a essa patologia:

A)A posição de cócoras aumenta e prolonga o sopro

B)Na posição ortostática o sopro diminui e fica mais curto

C)Na manobra de valsalva não ocorre qualquer alteração com o click (Fases 2 e 3)

D)A doença mixomatosa é mais prevalente no sexo feminino

E)O achado mais importante é o estalido sistólico de refluxo que ocorre após B1

RESPOSTA:

Prolapso da valva mitral é o fenômeno mecânico em que um de seus folhetos – ou ambos – se movimentam de modo exagerado na sístole, para cima e para trás, ultrapassando o plano do anel valvar, o que pode acontecer em duas circunstâncias, permitindo classificá-lo em primário e secundário.

No prolapso primário, as válvulas são anormais. São folhetos espessos, de dimensões grandes, redundantes. Essa redundância permite o movimento exagerado, além do plano valvar. No secundário, os folhetos são normais, em dimensão e estrutura. No entanto, por causas diversas, a cavidade ventricular esquerda está diminuída ou, então, os músculos papilares não se contraem de modo eficiente.

O PVM primário é o mais comum e se constitui numa condição autossômica dominante. O prolapso secundário da válvula mitral é encontrado em inúmeras condições, como síndrome de Marfan, síndrome de Ehlos-Dantos, síndrome da válvula redundante, endocardite reumática, miocardiopatias (congestiva, hipertrófica), miocardite, mixoma de átrio esquerdo, doença coronariana, etc.. O diagnóstico é mais frequentemente feito através do ecocardiograma, ainda que possa ser suspeitado por sinais clínicos e pelos achados da ausculta cardíaca. A histologia e histoquímica dos folhetos do prolapso primário mostram alterações na constituição do colágeno. Há aumento do teor de glicosaminoglicanas; a relação entre os colágenos tipo I e III está alterada . As fibras colágenas e elásticas mostram desarranjo na sua organização. O colágeno é mais frouxo que o habitual. Esta é a degeneração mixomatosa, encontrada nas válvulas dos pacientes que apresentam a síndrome do prolapso da valva mitral. A degeneração mixomatosa é mais frequente no sexo masculino.

A maioria dos indivíduos com PVM não apresenta quaisquer sintomas. No entanto, alguns deles apresentam sintomas que são difíceis de serem explicados baseando-se apenas no problema mecânico, ou seja, que estes sintomas sejam realmente causados pelo PVM. Esses sintomas incluem: dor torácica, fadiga, palpitações e tonturas.

A suspeita surge no exame clínico através da ausculta cardíaca. O sopro do PVM é mesotelessistólico e geralmente acompanhado do estalido mesossistólico. As manobras que promovem a redução do volume do VE (reduzem o retorno venoso ou aumentam a contratilidade) adiantam o sopro e o estalido. Assim, a manobra de valsalva torna o estalido mais precoce e mais intenso. Contudo, medidas que aumentam o volume do VE (aumento do retorno venoso, redução da contratilidade) retardam o surgimento do sopro e do estalido. Posição de cócoras, uso de betabloqueadores tornam o estalido mais tardio e menos intenso.

Portanto, a resposta correta é o item E: O achado mais importante é o estalido sistólico de refluxo que ocorre após B1


Postado por:


Nathalia Duarte Camisão

Rotina da Unidade Cardiointensiva do Hospital Norte D'Or

Plantonista da Unidade Cardiointensiva do Hospital Barra D'Or

Residência Médica em Cardiologia e Clínica Médica

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