• Bruno Ferraz

Nova classificação da insuficiência cardíaca


Antes de ler o texto, responda à pergunta abaixo:

Considerando as novas recomendações de classificação da insuficiência cardíaca (IC), a afirmativa correta é:

a) É considerada IC com fração de ejeção normal, pacientes que se apresentam com sinais e sintomas de IC mas com níveis de BNP normais de fração de ejeção maior que 55%

b) Para diagnóstico de IC com fração de ejeção intermediária, devemos ter uma fração de ejeção entre 40-49%, BNP elevado, porém sem alteração estrutural cardíaca

c) Na IC com fração de ejeção reduzida, o BNP deve ser solicitado para corroborar o diagnóstico

d) Em pacientes com IC com fração de ejeção intermediária, o componente de disfunção diastólica será mais importante que a disfunção sistólica que costuma ser sutil.

e) O que define a classificação entre IC com fração de ejeção normal ou intermediária é a presença de dano estrutural relevante (ausente na IC com fração de ejeção normal)

Resposta:

Em 2016, a Sociedade Européia de Cardiologia publicou um novo guideline com novas recomendações em insuficiência cardíaca (IC). Uma das principais mudanças foi a introdução do conceito de IC de fração de ejeção (FE) intermediária (ele chama de "heart failure with mid-range ejection fraction").

Classicamente, a IC era dividida em ICFEN (IC com FE normal) e ICFER (IC com FE reduzida), usando como ponto de corte na ICFER uma FE<40% e na ICFEN uma FE>50%. Para essa "zona cinzenta" entre 40-49%, eles resolveram classificar o doente IC de FE intermediária. A justificativa se baseia no fato dos trabalhos prévios em IC mostrarem que as terapias clássicas reduziram a morbimortalidade apenas em pacientes com ICFER.

Geralmente, o diagnóstico de ICFEN é mais difícil já que doentes com ICFER apesentam alterações ecocardiográficas exuberantes que justificam o quadro clínico. Em doentes com ICFEN, não encotraremos dilatação do VE, mas teremos hipertrofia das paredes e/ou aumento do átrio esquerdo denotando aumento das pressões de enchimento, presentes na disfunção diastólica. Os pacientes com IC de FE intermediária apresentam disfunção diastólica com disfunção sistólica mais sutil. A criação desse subgrupo visa estimular encontrar as características desses doentes, fisiopatologia e o melhor tratamento para eles.

Os critérios diagnósticos utilizados serão:

- ICFEN: sinais e sintomas de IC + FE maior ou igual a 50% + BNP elevado + 1 critério adicional (doença estrutural relevante como hipertrofia de VE ou aumento de átrio esquerdo OU disfunção diastólica)

- IC com FE intermediária: sinais e sintomas de IC + FE entre 40-49% + BNP elevado + 1 critério adicional (doença estrutural relevante como hipertrofia de VE ou aumento de átrio esquerdo OU disfunção diastólica)

- ICFER: sinais e sintomas de IC + FE menor ou igual a 40%


Postado por:


Bruno Ferraz de Oliveira Gomes

Médico rotina do Unidade Cardiointensiva do Hospital Barra D'Or

Ecocardiografista do Hospital Barra D'Or

Diretor Administrativo do Departamento de Doença Coronária da SOCERJ

Intensivista no Hospital Federal Cardoso Fontes

Mestrando em Engenharia Biomédica na COPPE/UFRJ

Título de especialista em cardiologia e terapia intensiva

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