• Bruno Ferraz

Metas pós-infarto: reduzindo risco de novos eventos


Antes da discussão, responda a pergunta abaixo:

Paciente 48 anos, hipertenso, diabético, dislipidêmico, tabagista, internado por IAMCSSST anterior, realizou angioplastia com sucesso. Das orientações abaixo que devem ser informadas no momento da alta como prevenção secundária, a afirmativa falsa é:

A) Interromper o tabagismo irá reduzir o risco de um novo evento em até 5 vezes.

B) A meta de controle de PA pós-IAM deve ser abaixo de 120/80mmHg

C) Além do tratamento agressivo do diabetes com meta de HbA1c < 7,0%, pacientes devem ser estimulados à prática de exercícios físicos e dieta com restrição de carboidratos

D) Altas doses de estatina devem ser utilizadas independente do nível sérico de colesterol total e LDL em todos pacientes pós-IAM

E) Atividade física pós-IAM deve ser encorajada já que o risco de morte súbita durante a atividade física é muito baixo

Resposta:

O tratamento do IAM da fase subaguda é tão importante quanto da fase aguda. A prevenção secundária aumenta a sobrevida e reduz novos eventos cardiovasculares. Dentre as medidas que devem ser implementadas podemos citar:

(1) interrupção do tabagismo: Tabagistas que permanecem fumando após infarto tem risco de morte mais de 5 vezes superior àqueles que abandonaram o tabagismo. Todas estratégias de interrupção são válidas, desde reposição de nicotina através de goma de mascar e adesivos, tratamento medicamentoso com bupropriona ou vareniclina além de medidas cognitivas-comportamentais.

(2) Controle da pressão arterial: HAS é um dos mais importantes fatores de risco para doença coronariana, já que acelera a aterosclerose e contribui para o remodelamento ventricular. Estudos tentaram definir se metas mais baixas de pressão arterial (<130/80mmHg) estariam ligadas à melhores desfechos porém os resultados não foram favoráveis, mostrando uma maior taxa de efeitos colaterais no grupo de controle mais intenso da PA. A recomendação é manter a PA < 140/90mmHg. Quanto aos fármacos, devemos preferir os betabloqueadores e IECAs.

(3) Controle glicêmico: Pacientes diabéticos geralmente são mais graves, apresentam doença mais difusa com menor formação de colaterais. Esses pacientes, por serem mais graves, devem ser tratados com metas mais rigorosas de controle de pressão arterial, dislipidemia e o próprio controle glicêmico. A meta de HbA1c é <7,0%. Medidas farmacológicas e dietéticas devem ser implementadas visando esses alvos.

(4) Controle do colesterol: Vários estudos mostraram os efeitos benéficos das estatinas tanto na prevenção primária como secundária, com redução do número de mortes por doença coronariana. Pós-IAM, todos pacientes devem receber estatina em dose alta independente das taxas de colesterol. A meta de LDL deve ser abaixo de 70mg/dL.

(5) Combate à obesidade: Existe uma relação importante do IMC com morte cardiovascular, sendo o risco maior nos doentes com obesidade abdominal. O tratamento da obesidade é difícil e deve englobar estratégias dietéticas, mudança de estilo de vida e estímulo à atividade física. Em doentes refratários ou com IMC inicial muito elevado pode ser necessário o uso de estratégia farmacológica e, em último caso, a cirurgia.

(6) Combate ao sedentarismo: Além de ser fator de risco coronariano, a obesidade é responsável por baixo condicionamento físico, obesidade, elevação dos níveis de triglicerídeos. A prática de exercícios é benéfica no controle de todos outros fatores de risco listadas acima. Idealmente, a atividade deve durar pelo menos 40 minutos por 5 ou 6 vezes por semana.

Portanto, a recomendação errada é a letra B:

A meta de controle de PA pós-IAM deve ser abaixo de 120/80mmHg


Referências:

Piegas LS, Timerman A, Feitosa GS, Nicolau JC, Mattos LAP, Andrade MD, et al. V Diretriz da Sociedade Brasileira de Cardiologia sobre Tratamento do Infarto Agudo do Miocárdio com Supradesnível do Segmento ST. Arq Bras Cardiol. 2015; 105(2):1-105

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