• Bruno Ferraz

Insuficiência Cardíaca Crônica: tratamento farmacológico


Paciente do sexo feminino, 65 anos, procura atendimento em pronto-socorro com queixa de dispneia a pequenos esforços. Os sintomas pioraram nos últimos dias. Ao exame físico, detecta-se presença de terceira bulha e ecocardiograma mostra fração de ejeção de 30%, com aumento das câmaras esquerdas. Sobre a terapia farmacológica a ser empregada nesse paciente, assinale a alternativa correta:

A) Os diuréticos de alça endovenosos são fármacos essenciais para tratar a descompensação aguda da paciente. B) Os betabloqueadores devem ser obrigatoriamente suspensos durante o período de internação da paciente.

C) Os bloqueadores do sistema renina-angiotensina estão indicados, independente da função renal da paciente. D) Os vasodilatadores devem ser mantidos na fase aguda do tratamento, independente da pressão arterial da paciente.

E) Os antagonistas de aldosterona devem ser utilizados em pacientes em classe funcional I e II apenas.

Resposta:

A insuficiência cardíaca (IC) é uma das principais causas de internações recorrentes em cardiologia sendo o tratamento farmacológico adequado fundamental para reduzir essa taxa de internações. Apesar do conhecido benefício dos fármacos no tratamento da IC, a experiência do estudo SHIFT mostrou que apenas 26% dos pacientes estão em uso de betabloqueador na dose preconizada. Um dos motivos de intolerância ao uso dos fármacos é a hipotensão. Devemos sempre insistir nesses fármacos desde o início do tratamento para melhorar os desfechos. As drogas preconizadas no tratamento farmacológico da IC são:

(1) Betabloqueador: Reduz mortalidade global e por IC, além risco de morte súbita, assim como reduz internações. Os betabloqueadores aprovados para uso são: metoprolol, bisoprolol, carvedilol e nebivolol (somente em idosos > 70 anos). Devem ser mantidos na descompensação sempre que possível. Em casos mais graves, reduzir a dose pela metade. Em caso de choque cardiogênico, devem ser suspensos.

(2) Inibidores da ECA (IECA): Reduzem mortalidade e internações quando associados ao betabloqueador. Em caso de intolerância, trocar para bloqueador de receptor de angiotensina (BRA). Não devem ser usados em pacientes com insuficiência renal não-dialítica e hipercalemia.

(3) Antagonistas da aldosterona: Reduzem a mortalidade em pacientes classe funcional II-IV. Devem ser evitados em pacientes com insuficiência renal e hipercalemia.

(4) Diuréticos: Reduzem sinais e sintomas de congestão. A escolha inicial é o diurético de alça. Hidroclorotiazida ou clortalidona podem ser associados em pacientes com resistência à ação dos diuréticos de alça. Não devem ser usados em assintomáticos.

(5) Hidralazina + Nitrato: Indicados em pacientes com contra-indicação aos IECAs ou resistência vascular periférica aumentada em uso de IECA (usar em associação) especialmente em afro-descendentes.

(6) Digoxina: Pode ser usada em pacientes com sintomas refratários à terapêutica otimizada ou para controle de frequência cardíaca em pacientes com FA. Só pode ser usado em pacientes com disfunção sistólica.

(7) Bloqueador de canal de cálcio: usado como vasodilatador em pacientes com resistência vascular aumentada.

(8) Ivabradina: Utilizar em pacientes em ritmo sinusal, FC > 70bpm, classe funcional II-IV com disfunção sistólica e doses otimizadas de betabloqueadores.

Portanto: a resposta é a letra A.


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