• Bruno Ferraz

Doença Coronariana Estável - Qual o melhor tratamento?


A respeito do tratamento farmacológico e intervencionista na doença arterial coronariana crônica estável, as seguintes afirmações estão corretas, exceto:

A) A estratégia intervencionista está associada a menor taxa de angina

B) Em pacientes com estenose grave proximal em descendente anterior, a estratégia intervencionista é superior na redução da isquemia induzida por exercício

C) Angioplastia é superior na redução da mortalidade cardiovascular em doentes com doença arterial coronariana crônica

D) Em pacientes com um ou dois vasos acometidos, uma estratégia intensiva de controle do perfil lipídico (estatina em dose máxima) sem realização de angioplastia levou a menos eventos isquêmicos comparado à uma estratégia intervencionista sem controle agressivo do perfil lipídico.

E) A necessidade de medicamentos antianginosos é menor no grupo que foi alocado à estratégia invasiva

Resposta:

A doença arterial coronariana crônica estável (DAC crônica) geralmente tem etiologia aterosclerótica, que leva à obstrução do fluxo coronariano. A apresentação é variável mas o quadro geralmente se inicia com dor torácica relacionada aos esforços. No entanto, a primeira manifestação pode ser o infarto agudo do miocárdio ou até mesmo a morte súbita. Com isso, reconhecer esses pacientes de maior risco é fundamental para proporcionar o tratamento mais adequado. O tratamento farmacológico está indicado para todos pacientes. Alguns estudos compararam o tratamento médico otimizado (TMO) à angioplastia nesses doentes. Os pacientes submetidos à angioplastia evoluíram com melhora significativa dos sintomas, redução da necessidade de medicamentos antianginosos, além de melhora na qualidade de vida. No entanto, não houve diferença em desfechos duros (mortalidade cardiovascular, infarto, AVC...). O estudo COURAGE, publicado em 2007, é o maior desses trials onde 2287 pacientes foram randomizados para TMO (AAS, estatina com alvo de LDL em 60-85mg/dL, inibidores da ECA, terapia antianginosa) associada à angioplastia ou TMO apenas. Após um seguimento médio de 4,6 anos, a angioplastia não reduziu o risco de morte, infarto ou outros eventos cardiovasculares. Esse estudo foi realizado na era de stens não-farmacológicos. O estudo AVERT selecionou doentes candidatos à angioplastia e comparou dois grupos: tratamento intensivo da dislipidemia sem intervenção coronariana e angioplastia + tratamento usual da dislipidemia. O grupo tratamento clínico intensivo reduziu significativamente o colesterol LDL (média 77mg/dL) e evidenciou uma menor taxa de eventos isquêmicos (13% x 21%, p= 0,048) comparada à estratégia invasiva. Portanto, a resposta errada é a letra C.


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