• Bruno Ferraz

TAILOR PCI: Devemos fazer teste genético para definir o antiplaquetário? - ACC 2020

TAILOR PCI é mais um trial apresentado no ACC 2020. O estudo começou em 2012 e foi apresentado em 28/03/2020. Como o artigo não foi publicado, a análise é exclusivamente baseada nos slides do estudo.



O principal objetivo do estudo foi comparar uma estratégia de seleção de antiplaquetário baseado em testagem genética com o uso universal de clopidogrel em pacientes submetidos à angioplastia.


Desenho do estudo: Estudo randomizado e aberto onde os participantes foram randomizados para uma estratégia guiada por genótipo (identificar resistentes ao clopidogrel) x terapia padrão. A análise genética foi realizada em ambos os grupos. No grupo guiado por genótipo, indivíduos portadores do alelo * 2 ou * 3 receberam ticagrelor 90 mg 2x/dia, caso contrário, clopidogrel 75 mg/dia. No grupo terapia padrão, os indivíduos receberam clopidogrel 75 mg/dia. Apenas os portadores de perda da função do alelo *2 e *3 foram analisados no desfecho primário.


Critérios de inclusão:

Angioplastia por síndrome coronariana aguda ou DAC estável, idade superior a 18 anos e ausência de contraindicações ao uso de antiplaquetários por 12 meses.


Critérios de exclusão:

Angioplastia sem sucesso, genótipo conhecido, revascularização planejada de qualquer vaso dentro de 30 dias ou do vaso alvo em 12 meses.


Casuística:

1849 pacientes, idade média: 62 anos, seguimento médio: 12 meses, 23% mulheres, 27% diabéticos, 84% SCA


Desfecho primário:

Eventos cardiovasculares (infarto, morte cardiovascular, AVE, trombose de stent ou isquemia recorrente)



Resultados:

A ocorrência de desfecho primário foi inferior no grupo que realizou testagem genética (4,0 x 5,9%) porém não houve diferença estatística entre os grupos no seguimento de 12 meses (HR 0,66; IC95% 0,43-1,02).


Em uma análise dos primeiros 3 meses de terapia antiplaquetária, foi observada uma redução de 80% no desfecho primário. Como o artigo não foi publicado, não sabemos qual componente do desfecho primário foi responsável por esse resultado. A figura abaixo sumariza esse resultado.

Quanto ao desfecho de segurança, não foi observada diferença entre sangramento maior ou menor (critério TIMI) em ambas estratégias.


Conclusão:

A estratégia de testagem genética para escolha da terapia antiplaquetária não reduziu a ocorrência de eventos cardiovasculares maiores em 12 meses comparada à estratégia atual.


Opinião sobre o estudo:

Sem o artigo, fica um pouco difícil dar uma opinião definitiva sobre este trial, mas podemos fazer algumas considerações. Este trial teve início em 2012 e nosso aprendizado a cerca dos antiplaquetários aumentou consideravelmente neste período. Com o advento dos stents de última geração, a duração da terapia antiplaquetária ficou em xeque. A ocorrência de benefício expressivo nos primeiros 3 meses sinaliza para o período onde a cobertura antiplaquetária é mais efetiva. Após esse período, o benefício é incerto e parece agregar mais risco hemorrágico. A falta de dados quanto à esses desfechos dificulta qualquer ilação sobre esse tema.


Além disso, este estudo é uma comparação de estratégias e de drogas. Para a análise do desfecho primário, foram incluídos apenas os portadores de perda de função do alelo *2 e *3. Com isso, temos uma comparação entre ticagrelor e clopidogrel em uma população com resistência ao clopidogrel. Com isso, esses resultados são esperados. Surpreendentemente, esperaríamos uma taxa de eventos muito maior no grupo clopidogrel. Este fato, não aconteceu.


Vamos aguardar o artigo final para comentar as principais características desse estudo! Deixe seu comentário!


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