• Bruno Ferraz

Qual antiarrítmico começar após reversão da FA?



Após cardioversão da fibrilação atrial, na maioria das vezes, iniciaremos um antiarrítmico para manutenção do ritmo sinusal. Existem 3 opções no mercado brasileiro: propafenona, amiodarona e sotalol.


A propafenona é antiarrítmico da classe IC. Seu efeito é mais pronunciado em frequências altas. Assim, esta droga se torna útil na reversão de taquiarritmias, inclusive a fibrilação atrial. Inclusive, permite a estratégia "pill in the pocket” que permite a reversão da arritmia em ambiente extra-hospitalar. A propafenona tem discreta atividade betabloqueadora e deve ser utilizada com cautela em portadores de asma e DPOC. Os principais efeitos adversos são: prolongamento do intervalo PR e QRS, distúrbios de condução AV e disfunção do nó sinusal. A propafenona pode precipitar insuficiência cardíaca em pacientes com FE ≤ 40%, estando proscrita nessa situação. Dessa forma, só pode ser utilizada em pacientes sem cardiopatia estrutural e sem cardiopatia isquêmica.



A amiodarona é antiarrítmico da classe III. Não possui ação depressora sobre a função ventricular. Portanto, é o único fármaco indicado para pacientes com insuficiência cardíaca. Além disso, provoca um aumento muito maior no período refratário atrial. Por isso, é a droga mais eficaz na manutenção do paciente em ritmo sinusal. No entanto, o fator limitante para seu uso a longo prazo são seus efeitos colaterais: hipo/hipertireoidismo, insuficiência hepática, pneumonite intersticial, impregnação cutânea e ocular entre outros.



O sotalol é antiarrítmico da classe III (mistura racêmica de um betabloqueador não seletivo com bloqueador de canal de potássio). Sua ação antiarrítmica se dá pelo aumento o período refratário atrial. Sua ação tem predomínio em frequências cardíacas menores. Está indicado em pacientes com FA e hiperatividade simpática. Lembre-se que esta droga não reverte a FA! O principal efeito colateral é o prolongamento do intervalo QT com elevado risco pró-arrítmico. Diretrizes internacionais recomendam seu início em ambiente monitorado, com realização de ECG nos primeiros 3 dias de uso.

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