• Bruno Ferraz

PARADIGM-HF: uma nova droga na insuficiência cardíaca


O estudo PARADIGM-HF comparou o uso do sacubitril/valsartana e o enalapril em doentes ambulatoriais com insuficiência cardíaca(IC) sintomática. Sobre esse estudo podemos dizer:

A) O sacubitril/valsartana foi capaz de reduzir o número de internações por IC, mas não reduziu mortalidade

B) A hipotensão sintomática foi mais presente no grupo sacubitril/valsartana, levando à maior taxa de descontinuação do medicamento neste grupo

C) Os critérios de inclusão foram: FE menor ou igual a 40%, níveis elevados de BNP ou hospitalização por IC nos últimos 12 anos, além de clearance superior a 30ml/min/1.73m²

D) O angioedema foi prevalente em ambos os grupos avaliados, especialmente em Afroamericanos.

E) Observou-se redução da degradação do peptídeo beta-amilóide cerebral no grupo sacubitril/valsartana, sendo observado aumento do depósito amilóide.

RESPOSTA:

Foi desenvolvida uma nova classe terapêutica na insuficiência cardíaca que atua tanto no sistema renina-angiotensina-aldosterona (SRAA) como no sistema de endopeptidase. A droga é o LCZ696 que combina o sacubitril (inibidor de reprilisina) associado à valsartana. Ao inibir a neprilisina, a degradação de bradicinina e outros peptídeos endógenos é reduzida, levando à um aumento da diurese, da natriurese, além de atuar no relaxamento miocárdio e no remodelamento cardíaco.

O trial PARADIGM-HF comparou os efeitos a longo prazo do sacubitril/valsartana comparado ao enalapril quanto à morbidade e mortalidade em pacientes ambulatoriais com IC com FE reduzida sintomática(FE<40% que foi mudada para FE<35% durante o estudo), níveis elevados de BNP ou hospitalização nos últimos 12 meses e um clearance superior a 30ml/min/1.73m².

Nesta população, o sacubitril/valsartana foi superior ao IECA na redução de hospitalizações por piora da IC, na mortalidade cardiovascular e na mortalidade geral.

Apesar dessa superioridade, algumas questões de segurança ainda não foram bem elucidadas. A presença de hipotensão sintomática foi mais presente no grupo sacubitril/valsartana (especialmente em idosos), apesar de não ter aumentado a taxa de descontinuação do medicamento. O risco de angioedema foi reduzido pois somente foram selecionados doentes que toleraram os medicamentos na fase inicial (5 a 9 semanas), além da população de afroamericanos ter sido pouco representada nesse estudo (maior risco de angioedema). O tratamento combinado é contraindicado. Há ainda dúvidas a respeito dos efeitos do sacubitril/valsartana na degradação do peptídeo beta-amilóide cerebral, que poderia acelerar o depósito amilóide. Estudos pequenos mostraram baixo risco com a droga mas estudos maiores e mais longos são necessários para avaliar sua segurança.


Comentário por:


BRUNO FERRAZ DE OLIVEIRA GOMES

Médico rotina do Unidade Cardiointensiva do Hospital Barra D'Or

Ecocardiografista do Hospital Barra D'Or

Diretor Administrativo do Departamento de Doença Coronária da SOCERJ

Intensivista no Hospital Federal Cardoso Fontes

Mestrando em Engenharia Biomédica na COPPE/UFRJ

Título de especialista em cardiologia e terapia intensiva

www.drbrunoferraz.com.br

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