• Bruno Ferraz

Endomiocardiofibrose


A endomiocardiofibrose é uma forma de cardiopatia comum em países tropicais. Assinale a afirmativa mais correta relacionada a esta patologia:

A) O envolvimento fibrótico acomete principalmente a via de saída dos ventrículos

B) Ocasiona na maior parte das vezes uma insuficiência cardíaca sistólica

C) Existem alguns indícios de associação entre eosinofilia e fibrose endomiocárdica

D) Por ser uma cardiomiopatia restritiva, a pressão sistólica do VD geralmente é < 50 mmHg

E) O processo fibrótico costuma poupar os músculos papilares

RESPOSTA:

A endomiocardiofibrose é uma cardiomiopatia restritiva caracterizada pela deposição de tecido fibroso no endocárdio e, em menor extensão, no miocárdio do ápice de um ou ambos os ventrículos, determinando síndrome restritiva. A restrição ao enchimento ventricular ocasiona quadro clínico de insuficiência cardíaca diastólica.Poupa a via de saída e frequentemente acomete os músculos papilares. Afeta principalmente jovens e crianças de baixo nível socioeconômico. O quadro clínico no estágio inicial da doença é inespecífico, sendo os mais comuns: febre baixa, pancardite, hipereosinofilia, edema facial e peri-orbitário e urticária. 88% dos pacientes apresentam dispnéia e 24% precordialgia. A evolução clínica se faz com sintomas importantes de IC direita ou esquerda progressivas, sendo esta a principal causa de óbito. Nos casos de acometimento do ventrículo direito, há predominância de IC direita, sendo um dado propedêutico importante no diagnóstico o predomínio da ascite sobre o edema de membros inferiores. Na forma ventricular esquerda, observam-se dispneia e dor precordial. A fisiopatologia não é bem estabelecida mas acredita-se em um efeito tóxico dos eosinófilos no miocárdio levando a fibrose. Em 40% dos casos o VE é afetado e 50% dos casos acomete ambos ventrículos. As arritmias supraventriculares são comuns (60%), especialmente a fibrilação atrial. Esta costuma ocorrer em fase mais tardia da doença, especialmente no comprometimento do VD ou biventricular. A ressonância magnética e tomografia computadorizada são considerados , atualmente, métodos-ouro. Pela técnica de realce tardio, observa-se realce realce subendocárdico da via de entrada, com extensão e predomínio no ápice ventricular, cavidades ventriculares de tamanhos normais e átrios aumentados. Os determinantes de sobrevida são: classe funcional; grau de envolvimento ventricular- quanto maior o envolvimento do VD, pior o prognóstico; regurgitação mitral; regurgitação tricúspide; ocorrência de fibrilação atrial. O tratamento clínico é sintomático e pouco satisfatório. Quando a doença atinge estágio mais avançado, a cirurgia promove melhora sintomática, sendo o tratamento de escolha; os melhores resultados cirúrgicos são obtidos quando predominam as manifestações de insuficiência cardíaca esquerda.Com a doença avançada o prognóstico é reservado, e a mortalidade de 35 a 50% em dois anos. Resposta letra C.


Postado por:


Nathalia Duarte Camisão

Rotina da Unidade Cardiointensiva do Hospital Norte D'Or

Plantonista da Unidade Cardiointensiva do Hospital Barra D'Or

Residência Médica em Cardiologia e Clínica Médica

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