• Bruno Ferraz

Tabagismo e doença cardiovascular


A respeito do tabagismo e doença cardiovascular podemos afirmar, exceto:

A) Fumantes geralmente têm um evento coronariano 10 anos antes de não-fumantes (considerando características clínicas semelhantes)

B) A mortalidade em fumantes é 50% maior que em não-fumantes ou pacientes que interromperam o tabagismo imediatamente após o infarto

C) A magnitude do benefício da interrupção do tabagismo é similar ao benefício de betabloqueadores e CDI em pacientes com insuficiência cardíaca

D) Existe uma curva dose-resposta entre aconselhamento para interrupção e sustentação da interrupção superior a 8 sessões ou 300 minutos

E) Mesmo com a interrupção do tabagismo, o risco coronariano persiste elevado comparado à um paciente que nunca fumou

RESPOSTA:

Tabagismo é a principal causa evitável de morte prematura nos Estados Unidos. Fumantes têm maiores riscos em várias doenças como aterosclerose (principal), câncer e doença obstrutiva pulmonar. Vários estudos mostram que o tabagismo é a principal causa de doença arterial coronariana. Felizmente, no Brasil a prevalência de tabagistas vêm diminuindo. Do ponto de vista fisiopatológico, o tabagismo ocasiona elevação da pressão arterial, disfunção endotelial, espasmo coronariano além de ter efeito trombótico. A simples interrupção do tabagismo reduz em aproximadamente 50% o risco coronariano até o segundo ano de abandono de tabagismo. Após 10 anos sem fumar, o risco se torna semelhante à população geral. Por isso, o abandono do tabagismo deve ser sempre encorajado.

O impacto do tabagismo na doença cardiovascular é muito expressivo. Pacientes que continuam a fumar após o infarto agudo do miocárdio apresentam um risco 53% maior que aqueles que interromperam o tabagismo ou não-tabagistas. Um estudo com doentes portadores de insuficiência cardíaca e fração de ejeção reduzida (FE<35%) identificou uma redução de 30% na mortalidade em ex-tabagistas comparados à tabagistas. Comparativamente, este é o mesmo benefício do metoprolol e da espironolactona nestes doentes, além de ser similar ao benefício encontrado com o implante de CDI no estudo MADIT-II.

Portanto, a resposta incorreta é o item E:

Mesmo com a interrupção do tabagismo, o risco coronariano persiste elevado comparado à um paciente que nunca fumou


Postado por:


BRUNO FERRAZ DE OLIVEIRA GOMES

Médico rotina do Unidade Cardiointensiva do Hospital Barra D'Or

Ecocardiografista do Hospital Barra q

Diretor Administrativo do Departamento de Doença Coronária da SOCERJ

Intensivista no Hospital Federal Cardoso Fontes

Mestrando em Engenharia Biomédica na COPPE/UFRJ

Título de especialista em cardiologia e terapia intensiva

www.drbrunoferraz.com.br

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