• Bruno Ferraz

Estratificação de risco no doente hipertenso


Antes de ler o comentário, responda a pergunta abaixo:

Em qual das situações clínicas abaixo podemos classificar o paciente como sendo de risco cardiovascular adicional muito alto de acordo com a VI Diretriz de Hipertensão Arterial da SBC:

A) Homem de 60 anos, tabagista e hipertensão arterial sistêmica limítrofe

B) Mulher de 50 anos, hipertensa estágio I com ITB de 1,0

C) Homem de 40 anos, dislipidêmico e tabagista mantendo níveis tensionais no limite da normalidade

D) Mulher de 70 anos, história prévia de AVE, hipertensa estágio II

E) Homem de 60 anos, com história prévia de DAC prematura na família e hipertensão estágio II

Resposta:

A avaliação clínico-laboratorial dos pacientes hipertensos é de fundamental importância para que possamos estratificá-los de forma correta e por conseguinte conduzirmos da melhor forma o seguimento desses pacientes assim como o tratamento. Então temos como objetivo: Confirmar o diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica por medida da pressão arterial; identificar fatores de risco para doenças cardiovasculares; pesquisar lesões clínicas ou subclínicas em órgãos-alvo; pesquisar presença de outras doenças associadas ; estratificar o risco cardiovascular global; avaliar indícios do diagnóstico de hipertensão arterial secundária. A avaliação complementar é orientada para detectar lesões clínicas ou subclínicas com o objetivo de melhor estratificação do risco cardiovascular . Está indicada na presença de elementos indicativos de doença cardiovascular (DCV) e doenças associadas, em pacientes com dois ou mais fatores de risco (FR), e em pacientes acima de 40 anos de idade com diabetes.

Fatores de risco cardiovascular adicionais aos pacientes com HAS: Idade (homem > 55 e mulheres > 65 anos) ; Tabagismo ; Dislipidemias: triglicérides ≥ 150 mg/dl; LDL colesterol > 100 mg/dl HDL < 40 mg/dl ; Diabetes melito ; História familiar prematura de doença cardiovascular: homens < 55 anos e mulheres < 65 anos.

Identificação de lesões subclínicas de órgãos-alvo:

a) ECG com HVE (Sokolow-Lyon > 35 mm; Cornell > 28 mm – para homens [H]; > 20 mm – para mulheres [M])

b) ECO com HVE (índice de massa de VE > 134 g/m2 em H ou 110 g/m2 em M)

c) Espessura médio-intimal de carótida > 0,9 mm ou presença de placa de ateroma

d) Índice tornozelo braquial (ITB) < 0,9

e) Depuração de creatinina estimada < 60 ml/min/1,72 m2

f) Baixo ritmo de filtração glomerular ou clearance de creatinina (< 60 ml/min) g) Microalbuminúria 30-300 mg/24 horas ou relação albumina/creatinina > 30 mg por

g) Velocidade de onda de pulso (se disponível) > 12 m/s.

Condições clínicas associadas à hipertensão: Doença cerebrovascular (AVEi, AVEh, alteração da função cognitiva) ; Doença cardíaca (infarto, angina, revascularização coronária, insuficiência cardíaca) ; Doença renal: nefropatia diabética, déficit importante de função (clearance < 60 ml/min) ; Retinopatia avançada: hemorragias ou exsudatos, papiledema Doença arterial periférica.

Portanto, qualquer evento ou condição clínica associada à hipertensão das listadas já estratifica o paciente como sendo de muito alto risco cardiovascular. Portanto, a resposta correta é a letra D.


Postado por:


Nathalia Duarte Camisão

Rotina da Unidade Cardiointensiva do Hospital Norte D'Or

Plantonista da Unidade Cardiointensiva do Hospital Barra D'Or

Residência Médica em Cardiologia e Clínica Médica


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