• Bruno Ferraz

Hipertensão Arterial: estratificação de risco


A hipertensão arterial sistêmica é uma das doenças mais comuns no Brasil, com prevalência estimada entre 20 e 30% da população. Sobre este tema, assinale a afirmativa INCORRETA.

A) Tabagismo, história familiar prematura de doença cardiovascular, dislipidemia e diabetes melito são considerados fatores de risco adicionais na estratificação do risco cardiovascular do paciente hipertenso.

B) A meta da pressão arterial para todos os pacientes é abaixo de 140 x 90 mmHg. A maioria dos pacientes necessita de duas ou mais drogas para atingir este objetivo.

C) A microalbuminúria pode ser medida em amostra urinária pela relação entre albuminúria e creatinúria. Valores acima de 30 mg/g são considerados anormais.

D) A dosagem da proteína C reativa sérica e a aferição do índice tornozelo-braquial são medidas complementares que podem ser utilizadas na estratificação do risco cardiovascular do paciente hipertenso.

E) Um paciente hipertenso que apresente no consultório medidas da pressão arterial de 150 x 100 mmHg e na monitorização ambulatorial da pressão arterial uma média pressórica nas 24 horas de 110 x 70 mmHg é considerado como portador do “efeito do jaleco branco”.

Resposta:

A hipertensão arterial sistêmica (HAS) é muito prevalente em nosso meio e, quando não tratada de maneira adequada, aumenta o risco de eventos cardiovasculares. Na avaliação inicial do paciente hipertenso, devemos observar a presença de fatores de risco, lesões de órgão-alvo e doenças cardiovasculares a fim de estabelecermos metas de controle de pressão arterial (PA). São fatores de risco adicionais em pacientes hipertensos: idade (homem > 55 anos e mulher > 65 anos), tabagismo, dislipidemias, diabetes e história familiar prematura de doença cardiovascular, sendo homem < 55 anos e mulher < 65 anos (item A correto). A meta inicial de redução da PA dependerá do grupo de risco que o paciente se encontra (item B errado). Geralmente, em mais de 2/3 dos doentes são necessárias duas ou mais drogas para atingir esse objetivo. Em pacientes diabéticos, hipertensos com síndrome metabólica ou em casos com mais de dois fatores de risco é recomendado a verificação da microalbuminúria, que reflete uma faixa de albuminúria entre 30 e 300mg/24h. A microalbuminúria é um marcador precoce de disfunção renal, elevando o risco do paciente, indicando um controle mais rígido da pressão arterial. Ela pode ser medida em urina de 24h ou amostra de urina, onde uma relação albuminúria/creatinúria >30mg/g é considerada anormal (item C correto). O efeito do jaleco branco é comum e é definido como uma elevação de PA diante da figura do profissional de saúde que não se sustenta em aferições domiciliares ou no MAPA (item E correto). Na avaliação complementar do paciente hipertenso, vários exames podem ser solicitados visando identificar lesões de órgão-alvo. A proteína C-reativa é um marcador de eventos cardiovasculares e aterosclerose e pode ser utilizada na estratificação de risco em doentes hipertensos, assim como o índice tornozelo-braquial que indica presença de obstruções vasculares, elevando o risco de doentes hipertensos (item D correto). Portanto, resposta errada é o item B.


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