• Bruno Ferraz

Biomarcadores e dor torácica


A respeito dos biomarcadores utilizados na sala de emergência em pacientes com dor torácica, todas afirmativas abaixo estão corretas, exceto:

A) A troponina utilizada deve ser preferencialmente ultrassensível e pelo menos duas dosagens devem ser realizadas com intervalo de 3 horas, preferencialmente.

B) Elevações de troponina ultrassensível podem ocorrer no contexto de insuficiência renal e insuficiência cardíaca sem indicar uma síndrome coronariana aguda, contudo indicando pior prognóstico nesses doentes

C) Mesmo com a utilização da troponina ultrassensível, a dosagem da mioglobina deve ser realizada em casos de dor torácica de início muito recente

D) O peptídeo natriurético cerebral (BNP) não tem valor diagnóstico nas síndromes coronarianas agudas porém tem valor prognóstico

E) A proteína C reativa (PCR) pode elevar em casos pós infarto, especialmente em infartos mais extensos

Resposta:

Um dos pilares para o diagnóstico do infarto agudo do miocárdico (IAM) é a dosagem da troponina. Nos últimos anos, os kits ultrassensíveis permitiram um diagnóstico mais precoce com maior sensibilidade e especificidade. Tanto a sociedade européia como a americana recomenda o uso rotineiro da troponina ultrassensível no diagnóstico do IAM. O intervalo das dosagens ainda é controverso mas parece ser seguro a realização de duas dosagens com intervalo de 3 a 6h (dependendo da diretriz adotada), sendo que novos protocolos publicados recentemente sugerem uma rotina de duas dosagens com intervado de 1h, adotando um ponto de corte mais baixo¹. Com isso, ambas diretrizes recomendam abandonar a dosagem tanto de mioglobina como CK total e CK-MB. A troponina pode estar elevada, sem indicar IAM, em uma variedade de situações como: insuficiência cardíaca, renal, sepse, AVC, entre outros. Apesar de não indicar IAM, indica injúria miocárdica e pior prognóstico. Outros biomarcadores podem ser utilizados no contexto das SCA. O BNP é um marcador de sobrecarga ventricular e tanto nas SCA quanto na insuficiência cardíaca tem valor prognóstico. A PCR é um marcador inflamatório e eleva-se com pico por volta de 48-72h pós-IAM. Alguns trabalhos mostraram correlação com a magnitude de sua elevação com o tamanho do infarto e associação com mortalidade.

Portanto, a opção errada é a letra C

Referências: 1. Westermann D. Accurate and rapid diagnosis of myocardial infarction using a high sensitivity troponin I 1-hour algorithm. European Society of Cardiology 2015 Congress; August 30, 2015; London, UK. Abstract 1161. 2. European Heart Journal, doi/10.1093/eurheartj/ehv320

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